Quando a Memória Emerge, a Narrativa Respira.
Quero
ser sincera: eu gosto imensamente da narrativa do meu livro. E sei que, para
alguns, isso pode soar como vaidade ou como uma tentativa de promover vendas.
Mas a verdade é muito mais profunda do que isso.
Escrever
este livro foi como descer à terra mais escura da minha própria história,
escavar com as mãos nuas, sentir a aspereza das memórias que eu mesma enterrei
para sobreviver. Cada lembrança resgatada era um fragmento de mim que eu
julgava perdido. Cada página escrita era um sopro de vida que eu devolvia ao
meu passado.
Não
foi fácil. Não foi leve. Não foi rápido.
Foi
uma caça ao tesouro — não daqueles que brilham, mas daqueles que doem. Tesouros
enterrados em silêncio, protegidos por camadas de medo, guardados por décadas
de esquecimento.
E,
ainda assim, quando finalmente emergiram, quando a memória encontrou coragem
para subir à superfície, a narrativa ganhou corpo. Respirou. Falou. E eu ouvi.
Escrever
não foi apenas contar a minha história. Foi permitir que ela me contasse
também. Foi reconhecer que, por trás de cada dor, havia uma verdade. E por trás
de cada verdade, havia uma mulher que lutou para existir.
Se
hoje digo que gosto da narrativa do meu livro, é porque ela é feita de mim — do
que fui, do que perdi, do que sobrevivi. É porque ela não é um produto: é um
renascimento.
E
se alguém, ao ler estas palavras, sentir que a sua própria memória também quer
emergir, então este post já cumpriu o seu propósito.
Autora, Elyne Silva

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